paul eluard, francia, en portugues
LIBERTÉ - ÉGALITÉ - FRATERNITÉ
14 de julho de 1789
 delacroix:la liberté guidant le peuple
liberdade *
Nos meus cadernos de escola no banco dela e nas árvores e na areia e na neve escrevo o teu nome
Em todas as folhas lidas nas folhas todas em branco pedra sangue papel cinza escrevo o teu nome
Nas imagens todas de ouro e nas armas dos guerreiros nas coroas dos monarcas escrevo o teu nome
Nas selvas e nos desertos nos ninhos e nas giestas no eco da minha infância escrevo o teu nome
Nas maravilhas das noites no pão branco das manhãs nas estações namoradas escrevo o teu nome
Nos meus farrapos de azul no charco sol bolorento no lago da lua viva escrevo o teu nome
Nos campos e no horizonte nas asas dos passarinhos e no moinho das sombras escrevo o teu nome
No bafejar das auroras no oceano dos navios e na montanha demente escrevo o teu nome
Na espuma fina das nuvens no suor do temporal na chuva espessa apagada escrevo o teu nome
Nas formas mais cintilantes nos sinos todos das cores na verdade do que é físico escrevo o teu nome
Nos caminhos despertados nas estradas desdobradas nas praças que se transbordam escrevo o teu nome
No candeeiro que se acende no candeeiro que se apaga nas minhas casas bem juntas escrevo o teu nome
No fruto cortado em dois do meu espelho e do meu quarto na cama concha vazia escrevo o teu nome
No meu cão guloso e terno nas suas orelhas tesas na sua pata desastrada escrevo o teu nome
No trampolim desta porta nos objectos familiares na onda do lume bento escrevo o teu nome
Na carne toda rendida na fronte dos meus amigos em cada mão que se estende escrevo o teu nome
Na vidraça das surpresas nos lábios todos atentos muito acima do silêncio escrevo o teu nome
Nos refúgios destruídos nos meus faróis arruinados nas paredes do meu tédio escrevo o teu nome
Na ausência sem desejos na desnuda solidão nos degraus mesmos da morte escrevo o teu nome
Na saúde rediviva aos riscos desaparecidos no esperar sem saudade escrevo o teu nome
Pelo poder duma palavra recomeço a minha vida nasci para conhecer-te nomear-te
liberdade.
* e também Igualdade e Fraternidade - sempre, como um desejo Paul Eluard trad.de Jorge de Sena
____________________________ Enviado por Amélia Pais
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Por lobitogabriel - 14 de Julio, 2006, 8:21, Categoría: poesia
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